Relatos do Amamentar

Dar peito é bom e eu gosto

As torturas da amamentação

Quando eu estava grávida da Cecília, muita gente falou que amamentar não era assim tão natural. Como não??? Todos os mamíferos nascem, vão para o peito da mãe e são saciados. Por que comigo seria diferente?
Bom, em primeiro lugar, porque "todos os mamíferos" não usam roupas e criam resistência também na pele do seio. Tá certo que eu aproveitei o verão e pratiquei o top-less algumas vezes, mas mesmo assim...
Os peitos racharam! Bebê chora de fome, os peitos incham, mãe chora de dor. Como é possível você estar cheia de leite, querer amamentar ter um bebê querendo mamar e não conseguir???
Receita 1 - Usar bicos de silicone. Dessa maneira foi possível ver o sangue saindo, ao invés do tão almejado leite.
Receita 2 - Ordenhar e dar em um copinho. Mas só 3 ml??? E aquele mamadeirão que todo mundo dá? Pois é, minha mãe me perguntava a mesma coisa e me xingava, dizendo que minha filha estava com fome.
Receita 3 - Comprar uma lata de Nan. Eu nunca usei, mas ela ficou lá em casa e calou a boca de muito enxerido.
Receita 4 - Paciência, paciência e paciência. Um óleo de calêndula caro, banho de luz no banco de leite, banho de sol no quintal da casa da sogra. E ordenha, e dá. Colherinha, copinho, tudo.
Receita 5 - Prevenção, gente. Prevenção. Dizem que quem tem propensão a ter bico rachado, vai ter. Mas eu acho que banho de sol nos peitos 15 minutos por dia durante a gravidez previnem sim. E depois, curam. No mais, liberem a mixaria pros maridos. Nada como o uso pra amaciar.

As maravilhas da amamentação

Nenhum filho é igual ao outro. A Cecília era uma voracidade só. Ela pegava o peito e, em 20 minutos, não tinha mais nada. Ficava eu com aquelas duas muchibinhas e ela dormindo profundamente, em estado de graça.
Já o André de deleitava. Ele pegava o peito e revirava os olhos. Às vezes, parava, me olhava e ria, com aquela boca desdentada cheia de leite. E ficava 30, 40, 50 minutos. Depois, golfava boa parte (eita, guri guloso) e dormia largadão, como um porquinho.
E como porquinhos, cresciam e engordavam. Absurdamente. Nem eu acreditava naquilo: já era milagroso demais ter tido a capacidade de gerar um ser, sentir ele crescer dentro de você e expulsá-lo na hora certa. Mas ser capaz de, com o próprio corpo, alimentar um ser-humano? Isso sim era sublime!
Foram doze meses: seis com a Cecília e seis com o André. Eles não precisavam de mais nada, só de mim. Eles, completamente dependentes. Eu, completamente suficiente.
E a sensação de barriga nua com barriga nua? Pele com pele, as melhores vibrações.
E assim foi, até os 11 meses com a Cecília, que acabou largando o peito sozinha, e até 1 ano e sete meses com o André, que teve que largar porque eu fiquei doente.
Durou bastante e foi bem aproveitado. Tenho certeza de que o leite que eu produzi é muito superior a qualquer outro leite que eu dispunha. Tenho certeza que, sem a amamentação, eu não teria passado momentos tão próximos e carinhosos com eles. Se não fosse por dar o peito, duvido que eu teria podido dormir com eles tão agarrados a mim, me abraçando, ganhando cafuné.
Poder amamentar é mais que alimentar e criar vínculo: poder amamentar é um verdadeiro presente que ganhamos.

Fonte: Texto original extraído do post comunitário com o tema sobre amamentação - http://www.monstrinhos.blogger.com.br/ - data:12/09/2005


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