Bom, acho maravilhoso ver tantas mães optando por esse retorno à alimentação natural do seu filho, que por muitos anos foi desincentivado. Hoje sabemos como é importante e saudável para eles e para nós mulheres.
Na minha preparação para o parto, orientada por uma fisioterapeuta, fiz um trabalho físico e psicológico, pois ouvimos todo esse blá-blá-blá de leite fraco, dores lancinantes e empedramentos. Hoje estou certa de que o mais importante é sempre manter o foco e a calma. Esfreguei o bico dos meus seios com toalhas, da mais macia para a mais rugosa, depois parti para as escovas e buchinhas naturais... Acho que ajudou, mas para minha surpresa as dores, rachaduras e tudo mais vieram com força total. Usei os bicos de silicone, que aliviavam quase nada, mas enfim... O primeiro mês é uma verdadeira prova de fogo e se você passa por ele cicatrizada, o resto é uma beleza... Foi assim comigo. Nunca cogitei dar outro leite ao Tito nos primeiros meses e fico feliz por ter conseguido mantê-lo exclusivamente no peito até o 5º mês. Com 5 meses ele começou a intercalar sopinhas e frutas, mas pensa que diminuiu a mamada? Que nada! Quanto mais ele crescia, mais mamava! Vieram os dentinhos, muito cedo no caso dele, e tivemos que nos comunicar e ele entendeu que se me mordesse não teria leite... Cúmplices, amigos, unidos, nos tornamos companheiros na nossa poltrona de mamar e nela li todos os livros que nunca tinha tempo de ler, pois Tito mamava no mínimo por 1 hora. Cansa, nos emagrece, esgota – sim... Tudo isso e mais. Nos tira o desejo, a paciência com os outros, com os palpites alheios... Mas ao engravidar devemos ter consciência disso, pois se já vamos pra arena com aquele sentimento que às vezes nos incutem “acho que não vou aguentar, que não faz mal dar leite de vaca, que esse negócio de vacina natural é bobagem” pode atrapalhar tudo. Também chorei por noites a fio, mordi infinitas fraldas para aguentar a dor e é isso aí. É nosso papel de mãe – sofrer para tornar aquele serzinho tão dependente de nós uma criança saudável, feliz, que se sente amada e querida.
Texto enviado para Relatos do Amamentar em 19/09/2005 – Aline Haluch, mãe de Tito Haluch Beltrão 2 anos e 7 meses (07/02/2003)