Relatos do Amamentar

Eu nao parei para me informar sobre amamentaçao enquanto estava grávida, achava que era tudo natural, como o parto. Lembro de uma consulta em que o obstetra apertou meu peito e falou: olha, tem leite, nao precisa comprar nan!
O Ique nasceu de 37 semanas, com 34 entrei em TP e fiquei de repouso e observaçao, aí numa consulta ele teve bradicardia, e eu tinha comentado que ele andava muito quieto, entao o médico me mandou pro centro cirurgico. Agora nao é hora de contestar isso, na época achava que era o certo, mas tive muito medo pelo bebe e por nao ter me preparado pra isso. Quando nasceu, ele nao chorou e eu fiquei apavorada, alguém falou: chora neném, senao vamos ter que te colocar no respirador! Aí ele chorou, e eu também.
Me mostraram rapidamente e o levaram (meu marido e minha sogra, que estavam na sala), fiquei sozinha e só o encontrei no quarto, cheio de visitas falando e batendo fotos. Minha sogra abriu minha roupa e apertou meu peito, que saiu aquele liquido grosso,o colostro. Ela trouxe ele mas nao me entregou, ficou segurando ele que mamava em mim, mas nao me dava o meu filho, foi péssimo.
Tento me esquecer da primeira mamada. Nao sei porque nunca falei nada nem ali, nem depois quando piorou, acho que era um misto de confusao mental no primeiro dia, falta de informaçao e excesso de educaçao, nao poderia gritar com ela, podia? Deveria.
No dia seguinte ele mamava e dormia, mamava e dormia, como qualquer bebe. Ninguem apareceu pra me orientar, nada. Eu nao sabia nada sobre o tal colostro. Ela cismou que ele dormia demais, saiu do quarto e veio com uma seringa de…Nan!
E repetiu o gesto a tarde, e deixou meu marido instruído pra fazer de novo a noite, escondido de mim. Eu lembro que só chorava, chorava, tossia e doía os pontos, mas continuava amamentando. Naquele ponto eu estava convencida que “não tinha leite”, mas nao queria desistir. No outro dia recebi alta e, já animada, fui pra casa da minha mae. Parecia que eu sabia que ali estava protegida, na maternidade ela mandava, mas aqui quem manda sou eu e vou reverter esse quadro. Peguei um livro antigo da minha irma, O livro da amamentaçao. Li algumas coisas, pedi pra minha mae preparar um chá de funcho. Fui pra cama tomar o chá e enquanto isso massageava meu peito, entao…senti um quenturao e desceu tanto leite, mas tanto leite, que nem dava pra acreditar.
Tirando as rachaduras básicas do primeiro dia que doíam muito mesmo, mas eu acho que bloqueei da memória, Henrique mamou legal até uns dois meses quando começou a se remexer, sei lá, no final, até chegar a um diagnostigo de refluxo, eu ouvi coisas.
“Ele nao gosta do teu leite!”, “Acho que nao tem mais leite!”, sao alguns dos exemplos de pérolas que ouvi vindo de desde a empregada, passando por tia e avó, até minha sogra que é médica. Mas eu nunca quis acreditar nessas coisas pois ele ganhava peso muito bem. Entao, com o auxilio de um bom pediatra e um ótimo gastro, e principalmente da Socorro, uma amiga que conheci no site
aleitamento.org que me ajudou nos momentos em que comecei a duvidar de mim mesma, Henrique mamou exclusivamente e normalmente até seis meses, e continuou mamando até 11 meses, quando foi hospitalizado.
Aqui eu faço um parenteses: nessa época, tudo o que eu ouvia era “ainda tem leite?”, e desde os seis meses vinha ouvindo conselhos falando que era melhor desmamar agora, que já estava bom, que eles crescem e ficam viciados no peito, que nao querem largar por mania, que mulher nao tem mais leite depois de tantos meses e por aí vai. Eu nao ouvia e continuava, mas aquilo deve ter ficado no meu
subconsciente. Porque quando ele ficou doente e nao quis mais mamar, nem comer, eu só queria que ele comesse alguma coisa, entao quando aceitou uma mamadeira, eu agradeci e nao fiz questao de amamentar. Poderia ter tentado, mas nao. No fundo acho que pensava aquelas coisas que tinha ouvido. Depois de quinze dias
ele pediu pra mamar eu dei, a noite de novo. Fiquei empolgada, acho que queria voltar a amamentar. Mas no dia seguinte nao pediu e eu nao ofereci também, não quis insistir, nao sei bem por que. Acho que foi um pouco de trauma de tudo aquilo que eu passei pra amamentar, aqui eu resumi, mas viver aquilo tudo foi dose! Por mais que eu amasse amamentar, pra mim nunca foi “fácil”, principalmente pela influencia negativa dos outros. Entao se ele nao queria mais, nao queria, eu nao queria insistir, ele já tava com quase 1 ano e tal…
Mas só contei tudo isso pois hoje penso diferente, com certeza para o próximo filho estou muito mais informada e ninguem vai me levar no bico. E quanto a desmamar com um ano, nao farei isso novamente, pois depois disso tudo Henrique teve alergia a leite e eu passei um trabalho para alimentá-lo. Nada melhor que leite materno!

Texto enviado para Relatos do Amamentar em 18/09/2005 - Ana Paula Moreira - http://anamoreira.multiply.com/



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