Minha mãe me amamentou só até quatro meses, intercalando com mamadeiras porque convenceram-na de que o leite dela era fraco e tinha pouco leite, que eu era tão “mirradinha”, que devia estar passando fome.
Ela diz que não conseguia ordenhar tanto como eu faço, eu digo pra ela que0, ninguém a ensinou.
Ela diz que o leite que ela tirava era aguado e não formava a gordura que o meu forma, eu digo pra ela que é porque ela só tirava o leite anterior que não tem muita gordura mesmo.
Não, eu não cobro minha mãe por isso, só fico com pena que ela não teve orientação e estímulo.
Na verdade, não sei porque eu me sinto assim, tão a favor da amamentação, pois desde que a Luisa nasceu, ouço minha avó dizendo o que ela dizia pra minha mãe: “A Luisa ta tao magrinha, acho que seu leite não esta sustentando”. Acreditem, ela chegou até a apertar meus peitos pra dizer que eles estavam murchos e que eu não tinha muito leite, que a Luisa ia passar fome. Detalhe, ela estava acabando de mamar, é claro que eu não estaria com os peitos explodindo. Ouvia, no começo, minha mãe dizendo que eu não precisava me estressar com ela mamando de hora em hora, que eu devia fazer uma madeirinha pra ela, que o leite em pó ia sustentar melhor e ela ia demorar mais pra mamar de novo.
Outra pessoa que eu prezo muito, partidária da mamadeira também tentava me convencer, ela achava o "leite em pó" maravilhoso porque não conseguiu amamentar os filhos dela por falta de apoio, orientação e preparação e eles sempre foram muito saudáveis. Enfim, aquela velha campanha para desestimular a amamentação.
Quando minha irmã nasceu, eu já tinha quase doze anos. Às vezes ela chorava tanto que minha mãe surtava, achando que não tinha leite, que era fome. Aí corria para a cozinha para preparar uma mamadeira. Eu, tão pequena, implorava pra ela não fazer isso. Não queria que ela desse a mamadeira. Se me perguntassem por que, eu diria que não sabia, mas não queria. Aí, quando ela estava terminando de fazer a tal mamadeira a blusa dela molhava de tanto leite. Ela ia amamentar e esquecia a mamadeira e eu dava pulinhos de alegria. Acho que era puramente instintivo, mas desde aquela época eu já era defensora da amamentação. Sempre soube que iria amamentar, mesmo sem saber quando teria filhos.
Ainda grávida, ouvi dizer que era difícil amamentar, que muitas mães desistiam por causa da falta de apoio, então pensei “como assim, falta de apoio?”. Simplesmente não podia compreender como alguém não podia apoiar uma mãe que amamenta. Pobre ingenuidade, foi só a Luisa nascer que senti na pele, já na maternidade.
Passei por 6 pediatras até encontrar alguém que REALMENTE apoiasse a amamentação, pq por incrível que pareça, a maioria dos pediatras não está preparada para acompanhar bbs amamentados e não sabe o que fazer. O primeiro pediatra da Luisa berrava comigo ao telefone "FOME!!! SUA FILHA TÁ PASSANDO FOME!!!" e eu? Corri dele!
Hoje está aí, minha filha linda e maravilhosa, saudável e inteligentíssima. E continua mamando, por muito tempo ainda. E me perguntam "nossa!!! ainda tem leite?" eu digo "não, é cha de camomila" e me dizem absurdos. Eu não to nem aí. Os ignorantes que se danem. Eu sei que estou fazendo o melhor pela minha filha, eu gosto, ela gosta, meu marido apoia, então não preciso de mais nada.
Enfim, não consigo entender como uma mãe consegue não amamentar, porque nasci sabendo que era isso que eu queria quando tivesse meus pimpolhos e continuo sabendo que é isso que eu quero, mesmo sendo muito difícil você conseguir amamentar sem interferências. Mesmo sendo tachada de louca de pedra por deixar minha filha “passar fome”, por andar com ela pendurada no peito de hora em hora sem conseguir cuidar de mim. Mas pra que eu precisava cuidar de mim se eu estava tããão feliz com aquilo?
Minha recomendação para quem vai ter filhos é "leiam, informem-se e sigam seus corações"
Fonte: Texto original estraído do post comunitário com o tema: Amamentação: O que tenho a dizer sobre isso? - http://oblogdaluisa.weblogger.terra.com.br/ - data: 14/09/2005.